sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CENTENCIA

O texto que segue recebi de um colega, se é veridico ou é montagem não sei... sei que achei uma delícia a leitura do mesmo... segue:

"Visto e inzaminado estes autos, etc. - O Adjunto de promotor publico arrepresentou contra o suplicante cabra Mané Duda, pruvia de no dia 11 do mez do Sinhor de Santana, quando a mulhé do Chico Bento ia pra fonte, já perto della, o supradito supricante que estava de tocaia numa moita de mato, saiu della de supetão e fez proposta a dita mulhé por quá ruia brocha pra coza que não póde trazê a lume, e como ella não se arresolvesse e se arricuzasse, o dito cujo, num inzecutivo abrofelou-se com ella deitou-la no chão, deixando as encomendas della de fóra e ao Deus dará, e não conseguiu matrimonio a refem della gritar e vim em assucorro della os vizinhos Necreto Correa e Quelemente Barbosa, que prenderam o dito cujo individuo como incurso nas penas do matrimonio apruco e sucesso pruquê a sobredita mulhé tava pejada e com o assucedido deu a luz a um menino macho que nasceu morto. As tistimunhas é de vista pruquê chegaro no sufragante e bisbaro a preversidade do cabra Mané Duda e as outras é tistimunha invaluemo e assim: Cunsidero que o cabra Mané Duda agrediu a mulhé do Chico Bento, por quá ruia brocha pra coxambrá cum ella coizas que só o marido dela cumpetia coxambrá, pru via de serem casados pelo rijume da Santa Madre Ígreja. Cunsidero que o cabra Mané Duda deitou a paciente no chão e quando ia coxambrá suas coxambranças viu todas as encomendas della, que só o marido della tinha o direito de vê.
Cunsidero que a paciente tava pejada e que em consequencia do assucedido deu a luz a um menino macho que nasceu morto. Cunsidero que a morte do menino trouxe prejuizo a herança que podia tê quando o pai delle ou a mãi infalecesse. Cunsidero que o arrepresentado cabra é supricante debochado que nunca sôbe arrespeitar as familia dos seus vizinhos, tanto que ia fazê coxambranças com a Quitéria e a Quilarinda que é moças donzelas e que não conseguiu pruvia dellas reunare borná e dare avizo a puliça. Considero que o cabra Mané Duda é sujeito pirigoso e que se não tivé uma coza que ataie a pirigança delle, aminha tá fazendo assumbração inté nos home, pruvia de sua patifaria e deboche. Cunsidero que o cabra Mané Duda está em pecado mortá pruquê nos mandamentos de nossa Santa Madre Iqreja é impruibido a gente desejá a mulhé do procimo e ele adesejou. Cunsidero que S.M.lmperiá a quem Deus guarde, e o mundo inteiro, percisa ficar livre do cabra Mané Duda, pra seculo seculoro amen, a refem dos deboches e senverqonhezas por ele praticado e pra que femea macho não seja mais pur elle incomodado. Cunsidero que o cabra Mané Duda é tão sem verniz que assustentou todas as senvergonhezas e ainda pisquim e isnoga das encomendas de sua vitima. Cunsidero que o cabra Mané Duda percisa pelas lezes ser botado em rijue. Cunsidero que esse rijume a mim Juiz Municipá cumpete botá. Posto que CONDENO o cabra Mané Duda pelo maleficio que fez a mulhé do Chico Bento e outros maleficios iguá a ser capado, capadura que será feita a macête cumo se faz com os animá de folgo. A inzecução desta pena será feita na cadeia desta villa. Anumeio inzecutô o carcereiro. Feita a capação, dispois de vinte dias o mesmo carcereiro sorte o supra cabra pra que vá simbora in paiz. O nosso priô acumselha: HOMINE DEBOCHATO, DEBOCHATUS MULHERORUM, INVOCABUS EST, QUIBUS CAPARE ET CAPATUS EST MACETE MACETORUM CARRASCUS SINE FATO NEGARE POTE. Cumpra-se e preguese nos luqares pubricos pra ciença dos interessados. Apelho insofiço desta centencia pra o Meretriz."
Dr. Juiz de Direito desta Comarca.



Porto das Fôlhas, 15 de outubro de 1883.
(a) Manoel Fernando dos Santos
1° suprente de Juiz Municipá.

Copiado de alfarrabios existentes no Instituto Historico de Alagoas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

trecho de video sobre o golpe militar no Chile... "Chove sobre Santiago"

1ª parte do vídeo: Muito além do cidadão Kane

vê essa, depois procura do youtube as outras partes, vale a pena!

vídeo: Ilha das Flores

para quem curte quadrinhos...

http://www.nonaarte.com.br/

já encheu o saco!

Sobre o Obama...
Até agora li até a pagina 08... bonitinho o discurso... e daí se os “americanos” elegeram um negro (que se diz mestiço); antes elegeram e reelegeram o Bush! Quase elegeram um vice mulher... uma louca megalomaníaca conservadora protestante
ortodoxa o qual discurso me lembra a KKK, o Tribunal de Santo Oficio e outros (nada contra mulheres no poder, mas aquela não pode ser referência para nada)... nós elegemos um nordestino, semi-analfabeto e ex-metalúrgico... não vi, li ou ouvi tanta festa da parte deles por isso, pior, apresentaram um vasto repertório desqualificador do presidente brasileiro eleito... no mínimo era um “bêbado”, ...entretanto Obama, Bush, Clinton e outros além de “ex-bêbados, ex-maconheiros e ex-tarados por secretárias” merecem um poster na parede e horário especial no Fantástico... haja síndrome de vira-latas...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Renascimento...



O Casamento dos Arnolfini


agora... o significado (deixa de preguiça e lê!)

Essa imagem é espetacular!

autor: BANKSY

Ética & CORRUPÇÃO

Achei muito interessante o texto que segue... publiquei, agora comenta!


Ética & CORRUPÇÃO

A crise de valores fragmenta os padrões de ética e cria uma atitude amoral no cotidiano.
Quem são os culpados?
Ana Carolina de Barros Silva

Passamos por mais um processo eleitoral. Em geral, e por re­petidas vezes, afirma-se que a atual realidade brasileira decorre da existência de políticos corruptos. Entretanto, a política é norteada por valores, e está diretamente relacionada à Ética. Segun­do Aristóteles, em Ética a Nicômaco, a finalidade da política é a vida justa e feliz. Assim, segundo o filósofo, o ideal ético se reali­za pela política, pois esta visa alcançar o bem. Mas seria o bem comum um de nossos valores?
Penso que a corrupção vista no Congresso Nacional é reflexo da microcorrupção praticada em nosso cotidiano. Só há tolerância à corrupção em sociedades nas quais esses valores estão arraigados.
Na verdade, a nossa sociedade vive uma crise de valores marcada por uma tendência pós-moderna que fragmenta a Ética numa pluralidade de éticas (política, educacional, médi­ca), fazendo com que o individuo se mostre nos mais diversos lugares e de diferentes formas. Isso permite que a relação en­tre as pessoas se torne amoral, de modo que seus objetivos, de caráter individualista, sejam alcançados sem depender de uma ética universal.

Interesses privados

Por que a mesma pessoa que contesta um político nepotista deixa o amigo entrar na sua frente numa fila? Qual é a diferença entre um político que emprega o irmão e uma pessoa que permi­te que alguém fure a fila na sua frente? Ambos utilizam sua posi­ção em favor de interesses privados e, assim, são nepotistas.
A questão principal é: por que não percebemos essas ações? Por que não percebemos que na verdade nossa" de­mocracia" - a de uma sociedade na qual o interesse privado prevalece sobre o público - tem um Estado que não está vol­tado para o Bem Comum?
Essa fragmentação ética está tão enraizada, que não perce­bemos que agir com valores variáveis compromete os interesses coletivos. Pois, se defendemos um todo, isto deverá permanecer em todas as esferas da vida (pública e privada): em casa, no tra­balho, nas férias...
A ética aristotélica é universal e é aquela à qual se pretende retornar. Mas, para que ela se efetive, é necessário ter moral fixa, a que todos sigam rigorosamente, pois a corrupção, o nepotismo e o clientelismo só ocorrem porque muitos se omitem ou infrin­gem leis e princípios morais. Além de atos violentos contra o co­letivo, há certa moral por trás desses atos que é sustentada por todos que a compõem, atos que se repetem quase que involun­tariamente em nosso cotidiano.
Assim, mais importante do que compreender nossa visão pa­triarcal de sociedade é entender que esta é formada por todos e que nossos valores muitas vezes são criados e reproduzidos por nós mesmos. Portanto, está sob nossa responsabilidade a cons­trução do Brasil, e não precisamos esperar por um político ideal, que nunca se revela.

Ana Carolina de Barros Silva é aluna do 2° ano do Ensino Médio da Escola de Aplicação - FEUSP

Texto extraído da REVISTA DISCUTINDO FILOSOFIA, N°06, PG 10

O VICIO



Tenho 72 anos, minha vida inteira foi entregue ao vício e não sei dizer como ainda estou vivo. Mas sei que perdi meus amigos, me afastei de minha família e acabei com minha saúde. Tudo por causa do vício.
Sim, eu confesso: sou viciado em trabalho.
Tudo começou na infância. Meus próprios pais me apresentaram ao trabalho. Aos cinco anos, eu já o praticava nas ruas, na frente de todos. Mas nunca uma única pessoa se aproximou de mim pra dizer ''larga esse vício, vai pra escola". Ou ''vai brincar, jogar futebol, você é muito novo para estar metido nesse mundo".
Na adolescência a coisa só piorou. Eu vivia dizendo que não queria nada com o trabalho, mas a quem eu estava enganando? A verdade é que perdi o controle. Logo engravidei minha namorada e, como meus pais fizeram comigo, botei meus filhos pra trabalhar. Eu passara de usuário à traficante!
Saíamos todos os dias pro trabalho e nunca a sociedade ou algum governo nos deu uma oportunidade de largar essa doença e ter alguma dignidade. Pelo contrário: nos ficharam, colocando nossos nomes em carteiras de trabalho. E nós seguimos trabalhando e trabalhando, numa trágica escalada. Minha dependência era tamanha que quase todos os dias eu ainda ficava fazendo hora extra.
Hoje, o que eu construí? Nada. Não tenho uma casa pra morar, não tenho onde cair morto, vivo de aposentadoria. E nem assim larguei o miserável do vício. Continuo trabalhando e descontando pro INSS.
Por isso eu peço a você que me lê: não deixe o trabalho tomar conta da sua vida e de seus familiares e filhos. Você começa achando que vai ser o dono do mundo. Mas termina na sarjeta, onde eu estou. Porque o trabalho, meu amigo, o trabalho mata!...
Cesar Cardoso é viciado em escrever.

Texto extraído da REVISTA CAROS AMIGOS, JUNHO 2008, PG 43

TEOLOGIA/3

Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:

Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender.
Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam da minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar, nem para pensar. E eu...bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva, nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como "Faça-se a luz", mas sempre na solidão. E foi assim que, naquela tarde, quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática.
A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam incrivelmente jovens e belos e radiantes. Me surpreenderam. Eu os tinha feito;mas não sabia que o barro podia ser tão luminoso.
Depois, reconheço, senti inveja. Como ninguém pode me dar ordens, ignoro a dignidade da desobediência.Tampouco posso conhecer a ousadia do amor, que exige dois. Em homenagem ao princípio de autoridade, contive a vontade de cumprimentá-los por terem-se feito subitamente sábios em paixões humanas.
Então, vieram os equívocos. Eles entenderam queda onde falei de voo. Acharam que um pecado merece castigo se for original. Eu disse que quem desama peca: entenderam que quem ama peca. Onde anunciei pradaria em festa, entenderam vale de lágrimas. Eu disse que a dor era o sal que dava gosto à aventura humana: entenderam que eu os estava condenando, ao outorgar-lhes a glória de serem mortais e loucos. Entenderam tudo ao contrario. E acreditaram.
Ultimamente ando com problemas de insônia. Há alguns milénios custo a dormir. E gosto de dormir, gosto muito, porque quando durmo, sonho. Então me transformo em amante ou amanta, me queimo no fogo fugaz dos amores de passagem, sou palhaço, pescador de alto-mar ou cigana adivinhadora da sorte; da árvore proibida devoro até as folhas e bebo e danço até rodar pelo chão...
Quando acordo, estou sozinho. Não tenho com quem brincar, porque os anjos me levam tão a sério, nem tenho a quem desejar. Estou condenado a me desejar. De estrela em estrela ando vagando, aborrecendo-me no universo vazio. Sinto-me muito cansado, me sinto muito sozinho. Eu estou sozinho, eu sou sozinho, sozinho pelo resto da eternidade.

RECOMENDO: Galeano, Eduardo; Livro dos Abraços

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Olha esse vídeo explicando entre outras coisas a organização do sistema capitalista...

http://video.google.com/videoplay?docid=115030164563086975
Opa! A primeira contribuição ao blog é da Rosseana..., obrigado pelo belo texto que tem tudo a ver com a proposta, ou seja, o ser humano... um ser falho, passional, amante, as vezes irracional, irresponsável... vivo, simplesmente... humano!

Bom.. aí vai o trecho... o nome do livro é Trilogia suja de havana... de Pedro Juan Gutiérrez

"É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas que será diferente. E isso é o que procuramos todo dia: não desperdiçar em solidão a nossa vida, encontrar alguém, nos entregar um pouco, evitar a rotina, desfrutar da nossa fatia da festa".

Quem quiser, comenta!

sábado, 1 de novembro de 2008

1° texto
(...).
“Quando nos referimos ao caráter anti-humano da violência, não estamos falando da violência praticada contra a natureza, seja para a produção de arte ou de quaisquer outros objetos necessários à manutenção e à reprodução da vida humana. Estamos falando sim de uma violência de segunda ordem, daquela que se realiza no plano das relações sociais. Plano em que a violência, na forma de ações humanas ou de objetos humanizados, se dirige contra outros homens, não contra seu corpo apenas, mas contra o seu existir social. Plano onde uns são submetidos a um processo de assujeitamento e coisificação por parte de outros, onde uns tem as oportunidades de realização restringidas por outros, onde uns são exterminados por outros. É esse plano que torna possível pensarmos a violência como expressão de intolerância e de exclusão política e social, como um mecanismo para manutenção de privilégios sociais”. (...)
(me deram esse texto... quando identificar o autor eu edito)
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Apesar de criar esse espaço para viajar de forma descomprometida com a exatidão intelectual, utilizarei esse blog tambem para orientar, caso considere necessário, meus alunos em algum procedimento escolar apontando referências de pesquisa (não repara)
Os textos postados serão fruto de leituras onde buscamos compartilhar as mesmas promovendo reflexão e debate... seja qual for; os textos abordarão os mais diversos assuntos... alguns textos serão de minha autoria relativos a meus momentos... minhas sensações... minhas reflexões!