quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ética & CORRUPÇÃO

Achei muito interessante o texto que segue... publiquei, agora comenta!


Ética & CORRUPÇÃO

A crise de valores fragmenta os padrões de ética e cria uma atitude amoral no cotidiano.
Quem são os culpados?
Ana Carolina de Barros Silva

Passamos por mais um processo eleitoral. Em geral, e por re­petidas vezes, afirma-se que a atual realidade brasileira decorre da existência de políticos corruptos. Entretanto, a política é norteada por valores, e está diretamente relacionada à Ética. Segun­do Aristóteles, em Ética a Nicômaco, a finalidade da política é a vida justa e feliz. Assim, segundo o filósofo, o ideal ético se reali­za pela política, pois esta visa alcançar o bem. Mas seria o bem comum um de nossos valores?
Penso que a corrupção vista no Congresso Nacional é reflexo da microcorrupção praticada em nosso cotidiano. Só há tolerância à corrupção em sociedades nas quais esses valores estão arraigados.
Na verdade, a nossa sociedade vive uma crise de valores marcada por uma tendência pós-moderna que fragmenta a Ética numa pluralidade de éticas (política, educacional, médi­ca), fazendo com que o individuo se mostre nos mais diversos lugares e de diferentes formas. Isso permite que a relação en­tre as pessoas se torne amoral, de modo que seus objetivos, de caráter individualista, sejam alcançados sem depender de uma ética universal.

Interesses privados

Por que a mesma pessoa que contesta um político nepotista deixa o amigo entrar na sua frente numa fila? Qual é a diferença entre um político que emprega o irmão e uma pessoa que permi­te que alguém fure a fila na sua frente? Ambos utilizam sua posi­ção em favor de interesses privados e, assim, são nepotistas.
A questão principal é: por que não percebemos essas ações? Por que não percebemos que na verdade nossa" de­mocracia" - a de uma sociedade na qual o interesse privado prevalece sobre o público - tem um Estado que não está vol­tado para o Bem Comum?
Essa fragmentação ética está tão enraizada, que não perce­bemos que agir com valores variáveis compromete os interesses coletivos. Pois, se defendemos um todo, isto deverá permanecer em todas as esferas da vida (pública e privada): em casa, no tra­balho, nas férias...
A ética aristotélica é universal e é aquela à qual se pretende retornar. Mas, para que ela se efetive, é necessário ter moral fixa, a que todos sigam rigorosamente, pois a corrupção, o nepotismo e o clientelismo só ocorrem porque muitos se omitem ou infrin­gem leis e princípios morais. Além de atos violentos contra o co­letivo, há certa moral por trás desses atos que é sustentada por todos que a compõem, atos que se repetem quase que involun­tariamente em nosso cotidiano.
Assim, mais importante do que compreender nossa visão pa­triarcal de sociedade é entender que esta é formada por todos e que nossos valores muitas vezes são criados e reproduzidos por nós mesmos. Portanto, está sob nossa responsabilidade a cons­trução do Brasil, e não precisamos esperar por um político ideal, que nunca se revela.

Ana Carolina de Barros Silva é aluna do 2° ano do Ensino Médio da Escola de Aplicação - FEUSP

Texto extraído da REVISTA DISCUTINDO FILOSOFIA, N°06, PG 10

2 comentários:

Bacalhau, seu sonho erótico disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bacalhau, seu sonho erótico disse...

Desde que eu aprendi o que é ética situacional (por causa do Paulo) as coisas já não fazem tanto sentido assim. Não há condições de estruturar-se, hoje em dia, uma sociedade com valores éticos fixos e rígidos, e mesmo se houvesse, evidentemente não seria a melhor solução. Temos é que carregar costumes mais éticos para o coletivo junto conosco, e passá-los as gerações futuras, afinal, alguém, em algum momento, tem que começar essa mudança, e aos poucos podemos "desimpregnar" os tantos valores individualistas que a sociedade alimenta desde que somos pequenas crianças. Só é díficil demais fazer isso num sistema que prega um individualismo tremendo...