sábado, 21 de março de 2009

Inculturação.

Participamos de uma atividade onde o tema era "INCULTURAÇÃO"... despertar as pessoas para as diversas culturas que são vítimas da discriminação e preconceito... predominava a defesa da cultura africana, a valorização da mesma e a relação que a sociedade estabelece, de preconceito disfarçado, no dia a dia. Foram apresentados vídeos, charges e trechos de filmes que apresentavam de maneira bem forte o tráfico negreiro, a venda de homens e mulheres, exclusão social, etc. A surpresa foi a percepção de que muitos formadores de opinião se chocaram com os vídeos e imagens... surpresa não pelo choque, mas pela impressão de que muitos demonstravam não ter conhecimento daqueles fatos históricos apresentados, que não percebiam as estratégias midiáticas com o fito de induzir a preferências culturais, da degredação de culturas com a do Islã, a Africana... para minha surpresa (= pânico!). O susto foi maior quando outras "minorias" (Homossexuais, Índios, Idosos, Menores Abandonados, Deficientes, etc, etc, etc) geralmente são lembradas pelo senso comum na hora de se punir ou em tragédias. Não são raros os debates promovidos em estabelecimentos de ensino ou outros espaços com o objetivo de construir uma sociedade mais justa, mas como realizá-la na prática se os mesmos (ou boa parte deles) que participam do debate enfervercente minutos antes ou depois reproduzem o preconceito na forma de diversão, piadas e apelidos, frases esteriotipadas referentes a todas as chamadas minorias...? As vezes me vejo em páginas de discursão, em comunidades do Orkut frequentada por jovens, em mesas redondas e ouço a reprodução de falas reacionárias... é como ler/ouvir questionamentos do tipo: "por que chamar o cara de negro é crime e de branco não?", "o negro é o mais racista!", ou coisas do tipo: "é brincadeira... ele não liga, né chocolate"; entre outras... é muita informação e pouco conhecimento... quando resolvi escrever tal texto (até com o objetivo de avaliar minhas posturas), o fiz com o objetivo de tentar encontrar respostas para as últimas afirmações que no meu entender o jovem estudante apesar de ouvir nas escolas que todos somos iguais não recebe o direcionamento para compreensão efetiva daqueles comentários e assim, acaba caindo num senso comum que reproduz de forma disfarçada de "brincadeiras" o preconceito. Daí gostaria que postassem qual o entendimento de vocês sobre as frases:
"100% negro";
"100% branco";
Em seguida, vai um endereço de reportagem do jornal A gazeta que comenta a soltura de uma doméstica negra que havia sido presa por chamar o motorista do ônibus de preto, ela teria reclamado da lotação do ônibus e feito o seguinte comentário: "só podia ser coisa de preto!", o motorista a conduziu a delegacia e a mesma foi presa por crime de racismo.
A promotora que a soltou justificou a liberdade dizendo que: "não houve crime de racismo, haja vista que ela é negra, logo não poderia estar tentando ofendê-lo".
Qual a sua opinião a respeito desse fato?

4 comentários:

Bacalhau, seu sonho erótico disse...

Antes de mais nada, sou assumidamente preconceituoso (dizer não sê-lo é geralmente hipocrisia), mas não racista. Defendo a queda do conceito de raça/etnia em se tratando de homem, uma vez que considero esse tipo de rotulação burra e desnecessária.
Seguindo esta linha de raciocínio, "100% Negro" ou "100% Branco" são frases de extremo mal-gosto ao meu ver, já que ambas rotulam, ambas reforçam a idéia da diferenciação do ser humano pela cor da pele.
Quanto ao acontecido envolvendo a doméstica, que coisa mais patética... A infeliz não percebe que com tal ato apenas alimentou essa conciência racista que assombra a humanidade? O pior de tudo, esse mesmo racismo que ela alimentou pode bater na porta dela. Mais patética ainda é a decisão da promotora. Cabe a abertura de novos debates: Seria essa mulher (a agressora) a prova empírica de que a situação do preconceito está caótica ao ponto de pretos descriminarem outros pretos por sua condição "preta"? Será que conceder privilégios (ou retribuir pelos séculos de descriminação) a uma etnia em específico não afirma esse método arcáico e burro de divisão do ser humano?

Seria tudo isso fruto da natureza humana, que faz com que o homem não se contente em ser um simples macaco e crie fatores de diferenciação entre ele e outros homens para se provar, de alguma maneira, superior até mesmo a outros homens?

Segue um link de um video clássico e interessante, Dancem, Macacos, Dancem: http://www.youtube.com/watch?v=7vb1DbOK-9Y

Bacalhau, seu sonho erótico disse...

^ Eu digitei correndo e com sono, relevem os erros.

Guilherme Suzano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Guilherme Suzano disse...

Assim como Bacalhau, não aprovo essas frases, mas acho que somos diferentes sim, ou não estaríamos neste blog discutindo sociedade enquantos outros repetem: "Sim, senhor!".

Sobre o caso da doméstica.. as primeiras coisas que pensei após ter lido o comentário da mesma foi que ela faz algo (ou pensa em fazer) sem saber ao certo o que está fazendo. (segundo seus depoimentos sobre racismo e discriminação).
Logo após veio em mente - sendo bem extremo - o fato de um matar o outro (imaginando outro caso) e ser legitimado por um promotor aparentemente não subornado. Este que deve conhecer a Constituição. (ou pelo menos os 10 mandamentos)

Ora, ela agiu errado mas talvez a culpa não é APENAS dela. Como dito por você no post, uma suposta agressão virou brincadeira do povo né?!
Culpa do governo também, pela frota ser pequena, ou por mal distribuir o trânsito de veículos na cidade, gerando superlotação de ônibus e atrasos.
"Mas acho que essa mulher tem mais o que fazer do que cobrar de seus candidatos ou participar de manifestações. Então seria mais fácil jogar a culpa no outros."

é quase o que estou fazendo aqui. oisaheiosa

A notícia me lembrou a história contada no filme "Quanto vale ou é por quilo?".
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Bacalhau, o vídeo é muito bom e ou esse cara é um ET, ou é mais um macaco achando que é esperto a ponto de convencer a massa dos macacos, e se convencer, realmente será esperto. ;d
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Sobre o Negrinho do Pastoreio: tal lenda, era contada por escravos negros que defendiam o fim da escravidão no período colonial do Brasil, mais especificamente no fim do século XIX.

Pergunta: Usar negrinho como expressão ou mesmo para alertar alguém, no diminutivo é considerado racismo?

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Gostei do blog :D
abraço.